Bandeira Protestante
A Parábola do administrador Infiel explicada corretamente
Última atualização em 21/05/2021
Se preferir, assista o vídeo.

Olá pessoal, neste artigo, eu vou apresentar uma nova interpretação da parábola do mordomo infiel, baseada num provável erro de tradução dos originais.

A Parábola do administrador Infiel, ou mordomo infiel, em Lucas 16: 1 a13, é uma parábola polêmica porque nos versículos 8 e 9, a maioria das traduções dá a entender que Jesus teria elogiado e recomendado as atitudes ilegais do tal administrador.

Por causa dessa polêmica, existem vários estudos na Internet que tentam "justificar" as supostas palavras de Jesus a respeito do administrador ou mordomo Infiel. Nesse meu estudo, no entanto, eu digo que essa polêmica baseia-se, na verdade, em um erro de tradução. A meu ver, Jesus nunca elogiou ou recomendou as atitudes do tal administrador. Muito pelo contrário, Ele condenou tal atitude e é isso que eu vou demonstrar no decorrer desse estudo.

Vamos começar esta análise, lendo a parábola na versão Almeida Revista e Corrigida.
Antes, só um lembrete: Essa versão, usa a palavra mordomo porque essa era a palavra utilizada naquela época para se referir a quem cuidava dos bens dos senhorios ricos. Mas, nos dias atuais, é mais comum o uso da palavra administrador. Um outro detalhe, é que nesta parábola, a palavra senhor está em minúsculo e nada tem a ver com Deus. Ela se refere apenas ao patrão do mordomo.
Vamos a leitura:

1- E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens.
2- E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isso que ouço de ti? Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.
3- E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha.
4- Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.
5- E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?
6- E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua conta e, assentando-te já, escreve cinquenta.
7- Disse depois a outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.
8- E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.
9- E eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.


Observe que no versículo 8 está a afirmação mais polêmicas desta parábola. Nesse versículo, Jesus teria dito que os filhos das trevas são mais prudentes, ou mais sábios, que os filhos da Luz. Vamos ler novamente: 8- E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.

Agora note que a expressão na sua geração está sem utilidade nessa frase. Ou seja, ela não faz nenhum sentido. Com ela ou sem ela, a interpretação desse texto continua a mesma. Por isso, algumas traduções omitiram a palavra geração. No entanto, eu descobri que é, nessa expressão, que se encontra o erro de tradução que mudou o sentido original, desse versículo, criando a polêmica atual.

Por causa desse erro de tradução, a interpretação do versículo 9 também ficou comprometida. Depois de ler o versículo 8, da forma como ele está atualmente, a gente tem a impressão de que no versículo 9 Jesus está dando uma ordem para praticarmos esse tipo de suborno. No entanto, depois de corrigirmos o erro de tradução do versículo 8, veremos que no versículo 9, Jesus não está dando uma ordem, e sim, uma explicação de que, quem pratica suborno e desonestidade, acaba no Inferno.

Vamos ler o versículo 9 novamente:
9- E eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

Para nos certificarmos de que existe uma falha na tradução nos versículos 8 e 9, e de que, a intenção de Jesus era condenar, e não elogiar ou recomendar as atitudes do mordomo infiel, vamos analisar a continuação desse sermão de Jesus.

No versículo 10, Jesus continua dizendo assim:
10- Quem é fiel no mínimo também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo também é injusto no muito.
Veja que o versículo 10 é claramente explicativo e condenatório. Jesus não está dando uma ordem pra fazer isso ou aquilo, Ele está dando uma explicação. E Jesus continua:
11- Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?
Os versículo 11, 12 e 13 também são explicativos e condenatórios.
12- E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?
13- Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou se há de chegar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Veja que no versículo 14, fica claro que Jesus estava usando aquela parábola para condenar a corrupção dos fariseus.
14- E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.
15- E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação.


No versículo 15, que acabamos de ler, Jesus fecha esse assunto condenando abertamente as opiniões e atitudes dos fariseus que ouviam sua parábola. Portanto,
não faz sentido que nos versículos 8 e 9, Jesus estivesse fazendo qualquer tipo de elogio ou de incentivo às atitudes desonestas praticadas pelos fariseus.
O mais razoável, é que os versículos 8 e 9 seguissem a mesma linha dos versículos 10 a 15. Ou seja, seriam, também, versículos explicativos e condenatórios.

Para comprovar essa tese, e descobrir a tradução correta, vamos comparar as diferentes traduções do versículo 8, existentes na língua portuguesa e na língua inglesa. Vamos dar uma atenção especial à expressão que contém a palavra "geração" porque ela é a chave desse mal-entendido. Note que na maioria das versões ela aparenta não ter uma finalidade bem definida. Ou seja, os tradutores não entenderam o que ela queria dizer naquela frase e alguns deles optaram, inclusive, por omiti-la. Tenha em mente que em Lucas 11:29, Jesus Cristo já havia afirmado que aquela geração era uma geração má e perversa!
Agora vamos às comparações do versículo 8, especialmente da parte b, a parte chave do versículo.

versão Almeida Revisada e Atualizada:
E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz. Aqui nós temos a expressão, na sua própria geração, que continua não fazendo sentido dentro desse texto.

Versão Nova Almeida Atualizada:
E o patrão elogiou o administrador infiel por sua esperteza. Porque os filhos do mundo são mais espertos na sua própria geração do que os filhos da luz. Nessa versão nós temos também a expressão, na sua própria geração, os tradutores conservaram aquilo que eles entenderam que estava escrito no original.

Versão Nova Versão Internacional:
O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz. Nessa versão, os tradutores optaram por substituir a palavra geração, a expressão contendo a palavra geração, pra colocar no trato entre si. Isso porque eles não entenderam, eles não viram sentido na palavra geração dentro daquela, dentro desse versículo.

Versão Nova Versão Transformadora:
O patrão elogiou o administrador desonesto por sua astúcia. E é verdade que os filhos deste mundo são mais astutos ao lidar com o mundo ao redor que os filhos da luz. Nessa versão, os tradutores optaram por substituir também a palavra geração e colocaram ao lidar com o mundo ao redor. Uma tentativa, também, de dar sentido à palavra geração existente no original.

Versão Católica:
E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes. Nessa versão, os tradutores optaram por acrescentar a expressão, no trato com seus semelhantes no lugar da palavra geração que eles não entenderam qual era o sentido dela naquele texto.

Como vimos, a maioria dos tradutores não conseguiu entender a finalidade da palavra geração, dentro do versículo 8 e, por isso, alguns deles a omitiram. É provável que, no original, esta parte do texto não esteja perfeitamente clara ou, talvez, danificada pelo tempo.
No entanto, depois de comparar diferentes traduções da língua portuguesa e da língua inglesa, acredito ter encontrado uma versão, em inglês, que melhor transmite o que Jesus realmente teria dito no versículo 8.

A versão, American Standard Version of Holy Bible(que em português significa versão padrão americano da Bíblia sagrada), está plenamente em conformidade com as demais fala de Jesus, inclusive, com Lucas 11:29, onde Jesus afirma que aquela geração, era uma geração má e perversa. Vamos ler:
Texto em inglês:
8 - And his lord commended the unrighteous steward because he had done wisely: for the sons of this world are for their own generation wiser than the sons of the light..
Texto traduzido para o português:
8 - E seu senhor elogiou o mordomo injusto porque ele havia feito com sabedoria: pois os filhos deste mundo são, para sua própria geração, (ou seja, na visão daquela geração) mais sábios do que os filhos da luz.

Observe que nesta versão fica claro que quem afirmava que os filhos deste mundo são mais sábios do que os filhos da luz, era aquela geração e não Jesus como dá a entender as outras versões. Agora ficou claro qual era o objetivo da palavra geração, no versículo 8. Ela foi utilizada por Lucas para dizer que, segundo aquela geração, aos olhos daquela geração má e perversa, os filhos deste mundo eram mais sábios que os filhos da Luz.

Ao analisarmos o versículo 8, na Versão - American Standard Version of Holy Bible, em conjunto com os versículos 9, 10 e 11, fica claro, também, que no versículo 9, Jesus Cristo estava alertando a todos que, a moradia final, de quem pratica iniquidade para angariar amigos, é o inferno. Podemos concluir que "tabernáculos eternos", citado por Jesus no versículo 9, se refere a inferno porque tabernáculo é uma moradia precária e provisória. Já as moradias do Céu, são chamadas na Bíblia de: "casas do Pai" ou "mansões celestiais".

Na minha opinião, a Sociedade Bíblica Brasileira deveria revisar a tradução e entonação dos versículos 8 e 9. Não parece nem um pouco razoável que Jesus Cristo tenha insinuado que os filhos das trevas sejam mais sábios que os filhos da Luz, e que os filhos da Luz, deveriam imitar os filhos das trevas como dá a entender a maioria das traduções atuais.
Meu conselho aos cristãos, é: jamais imitem as falcatruas dos fariseus, ateus e pagãos, porque Deus não abençoará tais atitudes.

Infelizmente, por conta deste erro de tradução, ou, talvez, de um copista dos originais, existem dezenas de vídeos e artigos na Internet ensinando interpretações equivocadas, sobre a parábola do administrador infiel. Por isso, eu fiz questão, de publicar este artigo.

Irmãos, o objetivo deste vídeo é ajudar a esclarecer, jamais confundir. Caso eu tenha cometido algum engano, na minha explanação, estou de braços abertos para receber seus comentários.

Um abraço, e que o Deus Criador, o Deus da Bíblia, nos abençoe hoje e sempre.

Valvim Dutra - Autor do Livro Renasce Brasil


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